Copa 2010

jun
27

Pela ruptura no poder do futebol

Publicado às 14:54 66 comentários
ENVIE SEU COMENTÁRIO
X

* campos obrigatórios

  1. Digite os números acima e clique no botão Enviar

  2. AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Terra Networks Brasil S.A. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Terra Networks Brasil S.A. poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

AP

A bola entra, mas o árbitro não dá o gol para a Inglaterra. Créditos: AP

Mílton Jung

Direto da Cidade do Cabo

As imposições da Fifa e interferências em decisões que ferem, inclusive, questões constitucionais têm causado indignação em alguns setores. Impressiona, também, a negativa para uso de tecnologia que impeça erros crassos em competições de alto nível, como ocorreu, hoje, com a Inglaterra.

É quase profissão de fé da instituição que manda e desmanda no futebol mundial. Evoluem os equipamentos usados pelos atletas, beneficiando-se os patrocinadores do esporte, jamais os que possam proporcionar justiça ao jogo - cada vez mais veloz, mais forte e mais caro.

Nesta semana, publiquei, no blog que mantenho na rádio CBN, texto de um colaborador que aborda o poder da entidade e prevê uma ruptura provocada pelos excessos e negativas, como já ocorreu em instituições seculares - e, também, em entidades esportivas.

Para ampliar o debate, trago a você, leitor deste blog, o que pensa o doutor em marketing Carlos Magno Gibrail sobre o assunto:

“Grande parte das mudanças da civilização veio através de rupturas geradas por revoluções, guerras ou dissidências em organizações, em resposta a situações limite de concentração de poder”.

Nas religiões, uma das dissidências marcantes foi a revolta contra a Igreja Católica quando, na Alemanha, Martinho Lutero, em 1529, estabeleceu o Protestantismo, em resposta ao poder absoluto do Papa.

O esporte, cada vez mais ocupando papel destacado na ordem social e econômica dos países, claramente não está acompanhando estruturalmente o crescente espaço que a vida contemporânea lhe concede.

Dentro do esporte, o mais popular de todos, o futebol, e um dos primeiros a se profissionalizar, ainda guarda fortemente o amadorismo de origem nos aspectos de gestão, embora em outros esteja bastante evoluído.

A pequenez da administração do “Soccer” não combina com a grandeza do mesmo:

‘O futebol movimenta U$ 256 bilhões por ano e é praticado por 400 milhões de pessoas em todo o mundo, oficialmente em 208 países que fazem parte da Fifa, muito mais do que os 192 filiados à ONU. A quantidade de gente diante das televisões para assistir a uma Copa do Mundo bate a casa do bilhão, muitos dos quais apaixonados e capazes de ir aonde nenhuma outra fé os levaria’. Milton Jung na sexta feira neste Blog.

Recursos eletrônicos, bolas com chips e árbitros profissionais são rechaçados. Tal repulsa emana do sistema de poder em que os mandatos das entidades representativas nacionais e internacionais não têm limites. Na Fifa, entidade máxima, Blatter está há tantos anos quanto quis, assim como permanecerá até quando desejar. Na CBF, Ricardo Teixeira, idem. Na maioria dos clubes brasileiros, também, idem.

São os PAPAS do século XXI cujo crescente poder faz com que uma nação como o Brasil aceite avalizar uma COPA repassando poder total ao próprio presidente da entidade que presidirá o evento e que, pioneiramente na história das Copas, acumula o cargo da confederação de futebol do país sede. Ricardo Teixeira preside a CBF, preside a organização da COPA 2014, e tem poder absoluto, sem a contrapartida prestação de contas, que serão endossadas pelo Governo Federal.

Não obstante a bajulação nacional de governadores de Estado, Teixeira decide sobre o destino da abertura da COPA, da qual é Senhor, colocando o maior e mais rico estado da federação brasileira em constrangedora subordinação, ainda que seja São Paulo a única cidade capacitada a abrigar tal evento.

A Fifa, a CBF, convenhamos, estão exagerando e se distanciando do apoio das plateias que teriam que atender. Historicamente nos aproximamos da dissidência, que é um primeiro passo para a ruptura definitiva.

Politicamente em âmbito nacional a criação de uma Liga dissidente é legal, enquanto internacionalmente há impedimento por regras estabelecidas de Unidade de representação. Mercadologicamente a dissidência poderá ser uma nova segmentação de mercado, criando um futebol com organizações modernas e regras atualizadas, respeitando o avanço tecnológico e a inteligência dos torcedores.

Que a mão de Henry e a exclusão do Morumbi sirvam de motivação para o surgimento de lideranças dissidentes”.

Registre-se, ao escrever o texto, Gibrail ainda não havia assistido aos erros do árbitro uruguaio Larrionda que impediu o empate inglês e foi crucial em sua desclassificação.