Copa 2010

jun
21

Palavrão no futebol pode, mesmo em família

Publicado às 10:34 228 comentários
ENVIE SEU COMENTÁRIO
X

* campos obrigatórios

  1. Digite os números acima e clique no botão Enviar

  2. AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Terra Networks Brasil S.A. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Terra Networks Brasil S.A. poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

AP

Kaká, Elano e Luís Fabiano comandam vitória brasileira. Crédito: AP

Milton Jung
Direto da Cidade do Cabo

“Ainda bem, f.d.p” foi o que Dunga teria dito assim que o juiz deu o apito final da partida contra a Costa do Marfim. Em vez de deixar os meninos envergonhados, eles até que gostaram do desabafo. Foi o que me disseram assim que os procurei para os comentários sobre a vitória e classificação brasileira.

Os dois garotos, de 10 e 13 anos, apresentados neste blog, semana passada, após a estreia da seleção, fizeram tanto sucesso com a sinceridade de seu olhar, que decidi voltar a eles.

Ao menos para os meninos-comentaristas, ninguém precisará pedir desculpas pelos palavrões, ao contrário do que teve de fazer o técnico da França Raymond Domenech, alvo dos xingamento de Anelka no intervalo do jogo contra o México. Depois de afastar o atacante, foi à imprensa dizer que “lamento por todas as crianças que seguem a seleção da França”.

Os dois sabem que tem palavrão que ofende, tem palavrão que dá ênfase, tem palavrão dito no momento impróprio e tem palavrão que alivia. O de Dunga foi de alívio, naquele instante. Os demais, ditos para quem não tem nada a ver com isso, e está apenas trabalhando, eles não ouviram e, portanto, não comentam. Fazem bem.

Ficaram assustados mesmo foi com a maneira dura com que aquele pessoal da Costa do Marfim jogava: “Eles não são os Elefantes, são uns cavalos”, disse o menor. Mais incomodados, ainda, quando viram os marfinenses entrar de sola na canela de Elano. Como já escrevi, o mais velho diz que o meio-campo brasileiro tem “cara de dó” e, por isso, decidiu torcer por ele, em particular. Deu sorte.

Aliás, eles haviam reclamado durante o jogo a falta do gol do Elano. Pedido feito, pedido atendido, depois da boa jogada pela esquerda de Kaká. “Esse cara é legal, ele mostrou o nome das filhas depois do gol”, lembraram os dois, conquistados pela simpatia do “goleador”.

Será que ele pode ser punido por isto? Espero que não, a mensagem era pra família, caramba.

Lembrei que eles queriam ter tirado o Kaká na partida de estreia já no primeiro tempo, antes mesmo da decisão do Dunga de substituí-lo: “Mas nesse jogo não merecia sair, apesar que disseram na TV que ele tinha de ter sido substítuido antes porque tomou o cartão amarelo”, comentou o mais velho. Sobre a expulsão: “Foi bem esquisito”.

Esquisito é elogio para o que o juiz deixou acontecer no gramado.

“O Robinho foi o Kaká do outro jogo, não fez nada desta vez”, concordaram os dois. “É, mas o Luis Fabiano fez bem mais do que todos eles juntos, em um usou a mão, mas fez”, comenta o novinho que não havia nascido quando Maradona consagrou este lance no México, em 1986. “Foi o gol mais bonito que eu vi até hoje”, disse o mais velho que só assistiu aquele chapéu de Pelé, na Suécia 58, pela televisão e em imagens desbotadas.

A vó, que esteve do lado deles no jogo de ontem, tinha idade para lembrar dos dois gols históricos, mas nunca acompanhou o futebol, só assiste aos jogos pra ficar junto com os netos.

Futebol-família é muito legal, mesmo que de vez em quando escape um palavrão.