Mílton Jung
DIreto da Cidade do Cabo
A Coreia do Norte foi para esquentar os tamborins, a Costa do Marfim é para mostrar se seremos protagonistas da festa ou meros convidados. Entenda-se “fazer a festa”, vencer de qualquer maneira, passando por cima de qualquer adversidade, superando a sim mesmo, por 0,5 a 0, se for o caso. Um estilo de jogo que Dunga, como poucos, sabe disputar.
Quando esteve em campo, levou a Seleção no peito e na raça quando foi exigido, carregou nas costas o injusto peso de uma era e calou (ou quase) os críticos quatro anos depois, liderando o Brasil para o tetra, nos EUA 94. Não tem medo de fazer isto no comando técnico, apesar de sua inexperiência no cargo. Protege seus jogadores, oferece tranquilidade e segurança para que eles exerçam a função que lhes foi destinada e reproduz na conversa de vestiário, na entrevista aos jornalistas e ao lado do campo esta cultura que o consagrou.
Sim, Dunga é um jogador consagrado e quer fazer o mesmo na sua recém-iniciada carreira de treinador. Sabe que para isso precisará matar um leão por dia, ou um “Elefante” como o adversário de logo mais.
Nesta Copa em que o saldo de gols até a partida do Paraguai (2 x 0 na Eslováquia) bate a média 1,8 por jogo e a estrutura defensiva das seleções tornam a disputa da bola uma briga de foice, ninguém imagine uma goleada ou um resultado elástico, como dizem os comentaristas esportivos. A Costa do Marfim é o mais difícil adversário desta primeira fase, não apenas pela presença de um dos melhores atacantes do mundo, Drogba. É seleção bem montada, de futebol sério e mais efetivo que boa parte das co-irmãs africanas.
Coincidência no confronto é que Brasil e Costa do Marfim têm seus principais destaques abalados por problemas físicos. Kaká é uma incógnita que se superar a parte física poderia desequilibrar a nosso favor. Drogba terá de ganhar segurança em campo, pois o braço machucado ainda atrapalha seu equilíbrio na disputa dentro da área, principalmente em um jogo no qual vai encarar dois dois melhores defensores do mundo, Lúcio e Juan - sem contar o goleiro Júlio César, apresentado como o melhor pelo meu colega de Portal Terra, Zetti.
Dunga sabe tudo isso e monta um time com capacidade de vencer ao estilo da Copa da África, nunca da Copa da Espanha, sabe também que se não alcançar o resultado, será duramente criticado, terá sua qualidade questionada e serão cobradas mudanças na equipe. Mas isso, também não assusta o treinador.
Aliás, Dunga parece não ter medo de nada. E é bom que assim seja.

