Copa 2010

jul
12

Por uma Copa limpa em 2014

Publicado às 16:37 44 comentários
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AP

Espanhóis festejaram título mundial pela primeira vez. Crédito: AP

Milton Jung

A Copa é da Espanha, queiram ou não os que reclamam da falta de gols. Fórlan é o melhor jogador, e confesso que fiquei satisfeito com a escolha da Fifa, pois premiou quem tem qualidade e desejo de vencer - coisa rara nestes tempos de jogadores da moda. Müller, o jovem mais talentoso, é uma grata surpresa.

No mais, a Holanda ainda não venceu na final. O Brasil terá de mudar. A Itália está mudando. A França, ninguém sabe. E mais um monte de coisas que você já leu ou releu, nestes últimos 30 dias de Mundial.

Foi um período especial para quem gosta de esporte, principalmente, futebol. Aprecie-se ou não o que foi apresentado pelas seleções, a Copa do Mundo exerceu seu fascínio sobre milhões e milhões de torcedores.

Para mim, uma Copa ainda mais especial, pela oportunidade oferecida pelo Portal Terra de cobri-la, em sua primeira etapa, na Cidade do Cabo, a mais bela cidade sul-africana, de onde apresentei com uma equipe de profissionais bastante competentes o programa Arena Terra. Além disso, ganhei durante todo o Mundial espaço nobre entre blogueiros convidados pelo Terra.

Hoje, encerro esta etapa e aproveito o último post para agradecer a todos que colaboraram com o Fora da Área e que permitiram a realização do Arena Terra, gente de primeira linha, bem preparada, muitos dos quais estiveram todo este tempo nos bastidores tornando possível a cobertura do Mundial.

Estar aqui de peito aberto, tratando não apenas do futebol jogado em campo, mas da disputa política do esporte, das questões sociais que envolvem o país da Copa e o que faremos na nossa Copa, foi uma experiência gratificante.

Acompanhar parte dos comentários deixados nos posts me ajudou a entender um pouco mais a cabeça e o comportamento de internautas, algo que ainda é mistério para muitos de nós. As críticas foram sempre bem-vindas e colaboraram na reflexão, além de permitirem uma revisão de nossa conduta. Os elogios recebidos foram lidos com respeito, mas sem ilusão. Houve situações bastante interessantes em que os internautas tomaram para si o espaço dos comentários e passaram a discutir entre eles outros temas que não o proposto no post.

A lamentar apenas a falta de educação de algumas pessoas incapazes de compreender a importância de participarem de uma tribuna livre como tem se transformado a internet. Em alguns momentos, numa demonstração de intolerância que não condiz com o ideal democrático deste meio de comunicação.

Às vésperas de uma campanha eleitoral, na qual a internet é vista como ferramenta construtiva, seria positivo que os cidadãos tomassem estes espaços para provocar debates sérios, responsáveis e com argumentos plausíveis capazes de influenciar a agenda dos candidatos e partidos.

Aos que tiverem oportunidade e interesse, convido para que me acompanhem no programa e no blog que mantenho na rádio CBN de São Paulo, a quem agradeço, também, por me permitir participar desta cobertura no Terra.

Devemos agora seguir atentos aos destinos da África do Sul e entender qual o real legado deste Mundial para o país sonhado por Mandela. Duvido que consigamos, mas o ideal seria não repetirmos os erros de investimento, os gastos desnecessários e o atraso em entregas de obras fundamentais, não para a Copa, mas para a sociedade, no Brasil 2014.

Meu desejo é que sejamos capazes de construir um Copa limpa, em todos os seus sentidos. Seja no trato do dinheiro público, discutindo os investimento com o cidadão e gastando de forma transparente; seja no respeito ao meio ambiente, levando em consideração o uso do conhecimento e da tecnologia verde para reduzir o impacto que obras e deslocamentos poderão gerar - aspectos que foram esquecidos na Copa que se encerra.

A todos, meu muito obrigado. E até a próxima !

Comentários

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  1. Marlene Postado em: 13 de julho, às 19:12

    Sobre a Copa 2010… não tenho mais o que comentar, pois como já foi, não tem mais jeito. Agora falta o nome para a bola e a escolha do mascote para 2014. No meu entender, penso que um excelente nome para a bola de 2014, seria “SAMBA”, para dar um baile na copa!!!
    E o mascote… um papagaio ou uma arara azul, seria interessante.
    Que tal fazer essa enquete? Seria bom, que o povo brasileiro, pudesse participar dessas escolhas, mas com seriedade, caso seja permitido, já que não foi ouvido em suas opiniões para na confecção do emblema.

  2. Paulo Postado em: 13 de julho, às 01:58

    Dica de um bom livro;
    “Quase me perdi”.
    A venda no site da livraria cultura
    Ou http://WWW.paulosiqueiras.com

  3. carlos magno gibrail Postado em: 13 de julho, às 01:39

    Milton,parabéns ao belíssimo trabalho.
    Ressalto a preocupação com a intolerância e incompreensão de alguns a este meio tão contemporâneo que é a internet.
    Ao mesmo tempo acredito que podemos e iremos avançar nos quesitos de honestidade e eficicácia se soubermos usar este fantástico veículo de comunicação e pressão.
    Vigiemos o poder em todos os sentidos, isto é,em intensidade e durabilidade.

  4. Sergio Postado em: 12 de julho, às 23:41

    Copa é igual a Miss Universo, nunca ganha a miss mais bonita e sim aquela que representa um país que precisa de notoriedade, ou está em crise. A Espanha está em uma grande crise financeira. A Copa serviu
    para anestesiar a população. Tudo armação. Eu já dizia que a Espanha venceria a Copa na abertura.
    E digo mais: 2014 será da Alemanha. Brasil hexa é
    como Schumacker hepta. Totalmente sem graça seria…

  5. JUSSARA BARBOSA Postado em: 12 de julho, às 22:55

    Copa limpa em 2014? Grande ilusão! O Cajuru, apesar de ser um tremendo chato de galocha, teve razão ao dizer (antes dos jogos da Copa 2010), que “A COPA É UM GRANDE NEGÓCIO, E QUE O BRASIL NÃO VAI GANHAR, vai ganhar sim, na Copa de 2014 aqui no Brasil! O Cara é chato, mais por várias vezes fala a pura verdade.A Fifa já escalou o Brasil como campeão na Copa de 2014, as outras seleções que obedeçam!!! É o fim!!

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jul
11

Copa da África é vermelha como o sol de Toscana

Publicado às 19:57 0 comentário

Milton Jung

Sol em Toscana ficou nas cores espanholas após título na África do Sul. Crédito: Milton Jung

Milton Jung
Direto de Ansedônia/Itália

Nem Itália nem Brasil no fim da Copa, me deixaram órfão neste domingo em que pessoas no mundo todo se reuniram para assistir a partida final do Mundial 2010.  Aqui onde passo as férias, Toscana, bares e restaurantes promoveram timidamente encontros para receber torcedores dispostos a acompanhar a partida. Espanha e Holanda não ofereciam aos italianos motivação especial, a não ser à turma de Milão, com dois representantes na seleção holandesa: Sneijder, da Inter, e Huntelaar, do Milan (que nem em campo estava).

Restou-me aceitar o convite da Zia Puppa para ver o jogo com a família. Ela só assiste ao futebol em Copa, e, ultimamente, tem reclamado muito das partidas. Acha que ninguém “joga, assim, assim…” e reforça a frase com as duas mãos sacudindo a sua frente.

Pedaços de pizza, queijos cortados, salame “italiano” e cerveja servida me aguardavam. Logo que cheguei, perguntei pelo coração dela. Tanto faz, mas o sol, hoje, está mais pra Espanha do que Holanda.

Fui conferir. Aqui do alto de Ansedonia, onde fica a casa dela, o sol desce no Mediterrâneo e pode ser apreciado, no verão, até oito e meia, quase nove da noite.  Tinha razão, o vermelho era especial.

Nada especial era o jogo na televisão. Apesar de final de Copa do Mundo, as seleções se apresentavam com futebol aquém do esperado. Ou jogavam aquilo mesmo que Zia Puppa há algum tempo reclama. Um jogo sem graça, com poucos lances de gol e muito pontapé. “Porca la miseria” disse Zia ao ver o holandês acertar com a chuteira o peito do espanhol.

Quis saber porque a Espanha ainda estava na Copa se tinha perdido um jogo. Tive de explicar que foi só o primeiro do Mundial e depois ela se recuperou. Quis saber, também, como o Brasil perdeu para esta Holanda? “Pergunta pro Dunga, Zia”.

O prato de petiscos estava quase no fim, e o jogo não andava. Falta pra um, cartão amarelo pro outro, de vez em quando, alguém tentava um drible. As poucas escapadas ao gol eram contra-ataques da Holanda que acabavam nas mãos (ou pés) de Casillas. A Espanha ensaiava um ataque, uma cobrança de escanteio, um cabeceio, mas a maior parte das bolas seguia pra fora.

“Desse jeito ninguém vai fazer gol”. No intervalo, a previsão da Zia Puppa já era de que a decisão seria nos pênatis. Os analistas da Rai Uno, com mais argumentos, diziam o mesmo. Um deles arriscou que o jogo iria melhorar no segundo tempo: “Até aqui a ordem era não perder a Copa no primeiro tempo”.

O segundo tempo se iniciou, e minha companheira de sofá dava sinais de cansaço. A cabeça as vezes caía pra frente como se estivesse dormindo. Despertava sempre que alguém na sala gritava mais alto por causa de um chute a gol. Ou uma falta, o que se repetiu muito mais. Ela só se levantou mesmo, indignada, quando o juiz inglês Howard Webb não puniu Iniesta que fez uma falta fora de jogo: “Ele amarelou” - traduzo eu para um português menos ofensivo. Aproveitou para fazer exercícios para as costas, estavam mais interessantes.

Apesar de uma pequena melhora na partida, o gol não surgia e a previsão da Zia Puppa ficava mais próxima: os temidos pênaltis. “E se der pênalti, este aí vai pegar tudo”, se referia a Casillas, que naquela altura tinha participado dos lances mais emocionantes do jogo.

Já não havia mais sol lá fora, quando o 0 a 0 se confirmou e o jogo foi para o tempo extra: “é castigo, pra ver se eles acertam um gol”, disse se levantando para lavar a louça na cozinha. E lá de dentro ainda resmungou: “no meu tempo não tinha essas coisas, se ganhava no jogo mesmo”.

Engano dela. Em 34, quando a Azurra da Zia ganhou o seu primeiro mundial, o título já havia sido decidido na prorrogação. Aliás, finais de Copa com prorrogação já tinham acontecido, também, em 66, 78, 94 e 2006. Portanto, nenhum demérito aos que tentavam a conquista hoje, a não ser pela carência de futebol e excesso de violência.

O problema da prorrogação é que a cerveja tinha acabado. E os ‘comes e bebes’, também. Ao menos que tivesse mais futebol. Iniesta exitou e errou. Navas assustou com a bola batendo do lado de fora da rede. Sneijder cobrou falta pra fora. Tinha um holandês impedido numa jogada e mais um na outra. E um outro acabou expulsou. “E foi expulso porque fez falta naquele que nem tinha que estar mais em campo”, lembrou minha comentarista de plantão, se referindo ao fato de Heitinga ter agarrado Iniesta que corria pra dentro da área.

“Eles vão jogar a vida toda e não vão marcar gol”. Foi como se a Espanha resolvesse dar um #calabocazia, pois ela mal acabara de reclamar e Iniesta encheu o pé pra fazer o gol do título. Comemorei, nem tanto pelos espanhóis, menos ainda pela previsão errada dela, mas porque gol ainda é a coisa mais importante no futebol.

Curioso é ver que a Espanha, que chegou com boa fama e boas previsões na Copa, estava bem próxima do título tendo marcado apenas oito em sete jogos. E logo a seleção batizada como “Fúria”. Talvez a explicação estivesse não nos número de gols marcados, mas nos tomados: apenas dois. Ou quem sabe estava no equilíbrio destes números, uma defesa segura e um ataque que marca o necessário?

Pensei em levantar esta bola pra Zia comentar, mas, sei lá de onde, surgiu mais um copo de cerveja. Dois, aliás. Um na minha mão e outro na dela, que brindou a façanha espanhola - o jogo já havia acabado.

“Estava torcendo, Zia ?”

“Eu, não, mas o sol estava”.

E o vermelho do sol de Toscana era espanhol, sem dúvida. Assim como a Copa da África.

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jul
11

Quem tem artilheiro, não morre pagão

Publicado às 07:31 19 comentários

Diego Forlán é um dos destaques do Mundial, com cinco gols marcados. Crédito: AFP

Por Mílton Jung
Direto de Roma/Itália

A tabela de goleadores da Copa do Mundo 2010 é auto-explicativa. Dividem o primeiro posto Villa (Espanha) e Sneijder (Holanda), Müller (Alemanha) e Forlán (Uruguai). Cada um deles marcou cinco vezes, sendo que os dois primeiros podem ampliar esta vantagem na partida de logo mais.

O alemão, aos 20 anos, é o segundo atleta mais jovem a marcar cinco gols em um Mundial. O primeiro, lógico, é Pelé que alcançou este feito aos 17. O uruguaio já é o segundo goleador do País, com 29 gols, dois atrás de Hector Scarone.

Alemanha com 16, Holanda com 12 e Uruguai com 11 são as seleções que mais gols marcaram nesta Copa. A Espanha é o ‘patinho feio’, pois chegou a final com apenas sete gols em seis jogos - muita mais pela pontaria do que pelo desejo, pois foi quem mais chutou, 103 vezes.
A numeralha muitas vezes atrapalha e esconde verdades. Mas trago estes dados estatísticos para chamar atenção em especial para o fato de que as seleções com artilheiros foram as que chegaram a disputa final. Nenhum esquema tático, nenhuma estratégia defensiva, nenhum medo, pode abrir mãos destas figuras essenciais ao futebol.

O goleador - às vezes perna dura para driblar, outras malvisto pela personalidade - tem de estar em qualquer grupo de elite que se preze. Abrir mão deles em nome de comprometimentos e comportamentos é desperdiçar a oportunidade de um time avançar.

É preciso ressaltar a importância destes personagens da bola, principalmente em um momento em que a economia de gols é evidente na formação das equipes. Não fossem Alemanha e Uruguai partirem para o tudo ou nada - diga-se de passagem, comum na decisão do terceiro lugar - corríamos o risco de assistir ao Mundial com a pior média de gols de todas as Copas.

Após o jogo de ontem, chegamos aos 2,28 por partida, mesmo que a decisão se encerre 0 a 0 encostaremos nos 2,29 de 2006, se houver três gols, superamos a marca. O que ainda é muito pouco e significativo para o futebol que o mundo está jogando.

De nada servirá uma goleada sem o título - não tenho dúvida. Mas mesmo equipes que marcam pouco - como foi o caso da Espanha no Mundial - precisam de um fazedor de gols, como Villa. Alguém com capacidade de finalizar aquilo que os companheiros construíram ou mesmo com força suficiente para concluir o que ele próprio teve de construir.

Que nossos queridos técnicos aprendam de uma vez por toda. Quem tem um artilheiro, não morre pagão.

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  1. Mario Postado em: 12 de julho, às 15:59

    quase todos os canais de comunicacao esportiva…diziam que a furia era um gatinho que nadava nadava e nao chegava a lugar nenhum nas copas do mundo..por favor se retratem !!

  2. Pablo Ventura Postado em: 12 de julho, às 00:23

    Sim,quem tem artilheiro não morre pagão. Um deles,aliás,deixou seu nome ness Copa,graças aos méritos e aos gols que somou: Forlán,filho de Pablo Forlán,este um excelente defensor,aquele,um goleador.

  3. claudio Postado em: 11 de julho, às 18:59

    ainda bem que tem gente que pensa como o seu ricardo tem que ter uma renovação total em todos setores da cbf e, principalmente em seu presidente e dunga vai peitar a globo que nisto és bom mas quanto a ser tecnico e convocar GRAFITE o dada maravilha tava certo convocar um jogador por causa de 15 minutos em tempo sou gaucho

  4. nivaldo de oliveira Postado em: 11 de julho, às 18:47

    Graças que não foi o Brasil… Não iria aguentar como em 2002 quando pegaram a taça ofereceram para a mulher(crise conjugal) para a amante para o bebe que iria nascer, pra Deus e o diabo MENOS para o Brasil e seus torcedores que foram lembrados por ultimo. Fosse hoje a taça seria oferecida para as esposas (crises conjugais, deus, filhos, ao dinheiro, Brasil e dai ao povo sofredor. VIVA PAUL, O POLVO! Tem mais moral que a seleção brasileira.

  5. João Paulo Rocha Postado em: 11 de julho, às 16:16

    Tem que ver que o futebol brasileiro está igual industria, antes de verificar a qualidade do jogador já foi vendido, esta industria parece a made in china, tudo defeituoso.

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